quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Entendendo os Pactos de Deus – Capítulo 12 de 14


Original em inglês escrito por Chris Lee, publicado no website de Life Assurance Ministries http://www.lifeassuranceministries.org/studies/covenants/index.html 
Tradução livre e adaptada deste blog.

Hebreus 3:1 – 4:16

No capítulo 11 vimos que a letra (ou lei, palavra escrita, código escrito) e seus regulamentos foram cancelados e pregados na cruz. Vimos ainda que dentre essas coisas estavam incluídas as leis alimentícias, sábado festivo (annual), sábado de lua nova (mensal), e o sábado semanal (sabbaton). Também vimos que sacrifícios de animais e o sábado eram ambos apenas sombras, e que a realidade está em Jesus Cristo.

No capítulo 12, continuaremos a explorar o conceito bíblico de Jesus Cristo como o cumprimento da sombra do sábado. Examinaremos dois capítulos chaves de Hebreus que apresentam a Jesus como o nosso verdadeiro descanso.



Lembre-se, o livro de Hebreus foi escrito a Judeus Cristãos que estavam sendo perseguidos por seus companheiros Judeus por causa de sua crença em Jesus como o Messias. Esses crentes hebreus estavam gravemente tentados a voltar às suas raízes e práticas judáicas. O autor de Hebreus escreve esta carta para advertir-los a que não voltem atrás e para recordar-lhes de quão melhor Jesus é do que as sombras do Velho Pacto. O autor cobre metodicamente quase todas as sombras do Velho Pacto e explica como Jesus as cumpre e ultrapassa. No capítulo 3 e 4 o autor escreve sobre a sombra do sábado e mostra como Jesus o cumpriu.

Hebreus 3:1-6 (João Ferreira de Almeida Atualizada)
    1Pelo que, santos irmãos, participantes da vocação celestial, considerai o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão, Jesus,
    2como ele foi fiel ao que o constituiu, assim como também o foi Moisés em toda a casa de Deus.
    3Pois ele é tido por digno de tanto maior glória do que Moisés, quanto maior honra do que a casa tem aquele que a edificou.
    4Porque toda casa é edificada por alguém, mas quem edificou todas as coisas é Deus.
    5Moisés, na verdade, foi fiel em toda a casa de Deus, como servo, para testemunho das coisas que se haviam de anunciar;
    6mas Cristo o é como Filho sobre a casa de Deus; a qual casa somos nós, se tão somente conservarmos firmes até o fim a nossa confiança e a glória da esperança.

Não perdamos de vista o ponto que o autor do livro de Hebreus fortemente faz aqui. Moisés representa toda a lei do Velho Pacto. O autor diz que Moisés foi apenas um servo, mas que Jesus é Filho. Jesus é mais que Moisés. Jesus não está em um plano de igualdade com a Lei de Moisés, mas a transcende.

Hebreus 3:7-11 (João Ferreira de Almeida Atualizada)
    7Pelo que, como diz o Espírito Santo: Hoje, se ouvirdes a sua voz,
    8não endureçais os vossos corações, como na provocação, no dia da tentação no deserto,
    9onde vossos pais me tentaram, pondo-me à prova, e viram por quarenta anos as minhas obras.
    10Por isto me indignei contra essa geração, e disse: Estes sempre erram em seu coração, e não chegaram a conhecer os meus caminhos.
    11Assim jurei na minha ira: Não entrarão no meu descanso.

Mesmo depois que Deus dirigiu os filhos de Israel a que saíssem do Egito, eles ainda assim não entraram no Seu descanso. Mesmo tendo guardado os sábados for 40 anos enquanto caminhavam pelo deserto, eles ainda assim não entraram no verdadeiro descanso de Deus. Mas Deus está chamando o Seu povo para que entrem no Seu descando e nos chama “HOJE”; não sábado, nem domingo, nem segunda-feira, mas “HOJE”! Vemos o uso da palavra “hoje” pela primeira vez no versículo 7, e a veremos várias vezes mais ao longo do capítulo. 

Hebreus 3:12-19 (João Ferreira de Almeida Atualizada)
   12Vede, irmãos, que nunca se ache em qualquer de vós um perverso coração de incredulidade, para se apartar do Deus vivo;
    13antes exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado;
    14porque nos temos tornado participantes de Cristo, se é que guardamos firme até o fim a nossa confiança inicial;
    15enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações, como na provocação;
    16pois quais os que, tendo-a ouvido, o provocaram? Não foram, porventura, todos os que saíram do Egito por meio de Moisés?
    17E contra quem se indignou por quarenta anos? Não foi porventura contra os que pecaram, cujos corpos caíram no deserto?
    18E a quem jurou que não entrariam no seu descanso, senão aos que foram desobedientes?
    19E vemos que não puderam entrar por causa da incredulidade.

Nos versos 13 e 15 vemos mais uma vez a enfatização em entrar no descanso de Deus “hoje”. Não foi a falha em guardar um determinado dia que preveniu os filhos de Israel de entrarem no verdadeiro descando de Deus. Eles guardaram os sábados! Foi falta de fé que os manteve fora desse descanso.

Hebreus 4:1-5 (João Ferreira de Almeida Atualizada)
    1Portanto, tendo-nos sido deixada a promessa de entrarmos no seu descanso, temamos não haja algum de vós que pareça ter falhado.
    2Porque também a nós foram pregadas as boas novas, assim como a eles; mas a palavra da pregação nada lhes aproveitou, porquanto não chegou a ser unida com a fé, naqueles que a ouviram.
    3Porque nós, os que temos crido, é que entramos no descanso, tal como disse: Assim jurei na minha ira: Não entrarão no meu descanso; embora as suas obras estivessem acabadas desde a fundação do mundo;
    4pois em certo lugar disse ele assim do sétimo dia: E descansou Deus, no sétimo dia, de todas as suas obras;
    5e outra vez, neste lugar: Não entrarão no meu descanso.

Assim, vemos que ainda há uma promessa de entrar no descanso de Deus, mas somente entramos através da fé. Essa é a boa notícia! Esse é o Evangelho! O sábado foi apenas uma sombra física do descanso espiritual que nos seria dado através da fé em Cristo. Em Jesus é restaurado o descanso espiritual perfeito que Adão e Eva perderam quando caíram em pecado.

A obra da criação de Deus foi terminada em seis dias e no sétimo “dia” (yom) ele descansou de toda a Sua obra. Deus continua nesse descaso hoje. Ele nunca cessou o Seu descanso. Diferente dos outros seis dias da criação, o sétimo “dia” (yom) não teve tarde nem manhã, não terminou. Deus continua no sétimo “dia” (yom).

Nota da tradução: “Yom” é a palavra em hebreu que significa “dia”, e foi usada em Gênesis para determinar a parte clara do periodo que involve um dia. Esta palavra é equivalente à palavra Grega “sabbaton” no Novo Testamento, que significa “o dia sábado, o sétimo dia da semana”. A palavra “shabbāth” em hebreu significa “descanso” e daí se originou a palavra em inglês “Sabbath” traduzido ao português como “sábado”. Note ainda que em inglês existem duas palavras para descrever sábado: a palavra “Sabbath”, que significa descanso mas é utilizada por sabatistas para referir-se ao sábado sétimo dia da semana; e a palavra “Saturday” que significa sábado como o sétimo dia da semana.

Adão e Eva teriam permanecido no descanso de Deus se não houvessem caído em pecado. Os filhos de Israel poderiam ter entrado no descanso de Deus se houvessem crido. Os Israelitas foram dados um símbolo cerimonial desse descanso, mas falharam em entender a quem esse símbolo apontava. Você e eu estamos sendo chamados a este descanso hoje através da fé em Jesus Cristo. Não estamos sendo chamados à sombra, mas à realidade. Estamos sendo convidados a voltar ao descanso espiritual do Éden.

Hebreus 4:6-7 (João Ferreira de Almeida Atualizada)
    6Visto, pois, restar que alguns entrem nele, e que aqueles a quem anteriormente foram pregadas as boas novas não entraram por causa da desobediência,
    7determina outra vez um certo dia, Hoje, dizendo por Davi, depois de tanto tempo, como antes fora dito: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações.

Notemos mais uma vez que este descanso não é um certo dia da semana. Não é domingo, segunda-feira, terça-feira, quarta-feira, quinta-feira, sexta-feira, ou sábado. É HOJE! É agora… todos os dias!

Hebreus 4:8-11 (João Ferreira de Almeida Atualizada)
    8Porque, se Josué lhes houvesse dado descanso, não teria falado depois disso de outro dia.
    9Portanto resta ainda um repouso sabático para o povo de Deus.
    10Pois aquele que entrou no descanso de Deus, esse também descansou de suas obras, assim como Deus das suas.
    11Ora, à vista disso, procuremos diligentemente entrar naquele descanso, para que ninguém caia no mesmo exemplo de desobediência.

Mesmo depois que os filhos de Israel entraram na Terra Prometida dirigidos por Josué eles ainda assim não entraram no descanso de Deus. A Terra Prometida, assim como o sábado, era apenas uma sombra daquilo que Deus queria restaurar ao homem. Ainda há um descanso a ser entrado, mas não é um certo pedaço de terra ou um certo dia da semana. É o descanso espiritual que foi perdido no Éden e que é somente restaurado através da fé em Cristo.

No verso 9, o escritor usa uma nova palavra Grega para descrever este descanso, “sabbatismos”. “Sabbatismos” significa descanso sabático, um descanso no sentido da palavra “Sabbath” que em si significa “descanso”. Note que ele não usou a palavra Grega utilizada para o sétimo dia da semana “sabbaton”, ao invés ele usou “sabbatismos” porque se refere a descanso e não a um dia da semana. Não estamos sendo convidados a descansar no sétimo dia da semana (sabbaton), mas sim no descanso eternal de Deus (sabbatismos) em Cristo e em Seu trabalho consumado.

O verso 10 nos diz que entramos no descanso de Deus quando primeiro descansamos das nossas próprias obras. Se seguimos tentando entrar no descanso de Deus através das nossas próprias obras, estaremos sendo tão desobedientes e de pouca fé como foram os israelitas. Assim como os crentes hebreus a quem esta carta foi escrita, não podemos retornar ao Velho Pacto que foi um pacto de obras. Devemos descansar, através da fé, na obra consumada de Jesus.

Hebreus 4:12-16 (João Ferreira de Almeida Atualizada)
    12Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão de alma e espírito, e de juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.
    13E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele a quem havemos de prestar contas.
    14Tendo, portanto, um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou os céus, retenhamos firmemente a nossa confissão.
    15Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer- se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado.
    16Cheguemo-nos, pois, confiadamente ao trono da graça, para que recebamos misericórdia e achemos graça, a fim de sermos socorridos no momento oportuno.

Jesus é o nosso Sumo Sacerdote. Ele é o cumprimento de todas as sombras do Velho Pacto. Ele é melhor que as sombras e as transcende todas. Ele é a realidade. NEle podemos ter a certeza de chegar ao trono de Deus e entrar em Sua presença assim como o sacerdote do Velho Pacto chegava até a Arca e seu trono de misericórdia. Tudo no Velho Pacto apontava a Cristo. Tudo no Velho Pacto foi cumprido em Cristo, inclusive o sábado.

Assim, se o sábado foi apenas uma sombra que foi cumprida (consumada, terminada) em Cristo, pode então ser verdade que um dia da semana é o selo de Deus para os cristãos no Novo Pacto? Muitos de nós fomos ensinados este conceito e o aceitamos sem questionar. Mas o que a Escritura realmente diz sobre isso?

Exploraremos mais no capítulo 13.


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