quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Entendendo os Pactos de Deus – Capítulo 11 de 14


Original em inglês escrito por Chris Lee, publicado no website de Life Assurance Ministries http://www.lifeassuranceministries.org/studies/covenants/index.html 
Tradução livre e adaptada deste blog.

Colossenses 2:13-17

No capítulo 10 do nosso estudo vimos como Paulo lidou com a questão dos dias santos na igreja de Roma. Vimos que para os cristãos sob o Novo Pacto a observância de dias especiais é uma questão de escolha pessoal que não deveria dividir a igreja. Uma pessoa pode considerar um dia mais especial que outro, enquanto outra pessoa considera a todos os dias iguais. Qualquer que seja a escolha de uma pessoa, não deve ser motivo de julgamento uns contra os outros. É uma escolha pessoal, não uma obrigação ou requerimento para os cristãos sob o Novo Pacto.

No capítulo 11 examinaremos como Paulo lidou com a situação na igreja de Colossos. Aquí a situação era diferente da situação na igreja de Roma. Em Roma, Judeus e gentios cristãos estavam aprendendo a viver juntos em amor e precisavam de instruções básicas de como as coisas deviam ser dentro da liberdade cristã. A igreja de Colossos era em sua maior parte composta de gentios, mas estava sendo infiltrada por falsos professores. 

Entre as heresias que esses falsos professores estavam espalhando haviam heresias como as de que os cristãos sob o Novo Pacto estavam obrigados a guardar as leis alimentícias, a observar sábados anuais, sábados mensais de lua nova, e o sábado semanal.

Paulo lida com essas heresias com muito mais firmeza quando escreveu aos Colossenses:

Colossenses 2:13-15 (João Ferreira de Almeida Atualizada)
    13e a vós, quando estáveis mortos nos vossos delitos e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-nos todos os delitos;
    14e havendo riscado o escrito de dívida que havia contra nós nas suas ordenanças, o qual nos era contrário, removeu-o do meio de nós, cravando-o na cruz;
    15e, tendo despojado os principados e potestades, os exibiu publicamente e deles triunfou na mesma cruz.

Jesus Cristo cancelou o certificado de dívida que consistia de decretos contra nós. Jesus Cristo tirou dos nossos ombros o código escrito (a letra) e suas ordenanças pregando-o na cruz. Tenho escutado aos que são sabatistas protestarem “Sim, mas o sábado não! O sábado nunca foi removido e pregado na cruz!” O que diz a Escritura inspirada a este respeito? Paulo usa uma palavra de transição importante “oun”, usualmente traduzida como “assim” ou “então” ou “assim que” ou “pois” para passar ao verso 16. Usando esta palavra de transição, Paulo nos está dizendo que as coisas que seguem a esta palavra no verso 16 foram removidas do nosso caminho, pregadas na cruz por Jesus, e que ninguém deveria mais julgar com base nessas coisas.

Colossenses 2:16-17 (João Ferreira de Almeida Atualizada)
    16Ninguém, pois, vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa de dias de festa, ou de lua nova, ou de sábados,
    17que são sombras das coisas vindouras; mas o corpo é de Cristo.

Paulo usa essa sequência bem familiar para descrever todos os sábados prescritos. Esta sequência – dias de festa, ou de lua nova, ou de sábados – é usada ao longo de toda a Escritura em ordem ascendente ou descendente, mas sempre abrange todos os sábados judeus: os sábados anuais (dias de festa), mensais (sábados de lua nova), e semanais (o dia sábado). A essência do argumento que Paulo faz é este: Cristo pregou o código escrito (a letra) na cruz, assim que as seguintes sombras foram tiradas do nosso camino: leis alimentícias, sábados anuais festivos, sábados mensais de lua nova, e o sábado semanal.

Tenho escutado também alguns sabatistas argumentarem que Paulo aqui não está referindo-se ao sábado semanal, mas apenas aos “sábados cerimoniais”, que significam os sábados anuais (dias de festa) e os sábados mensais (de lua nova). Mas esse argumento não é bem fundamentado por três razões:
  1. Quando esta sequência – dias de festa, ou de lua nova, ou de sábados – é usada nas Escrituras ela é usada para abrangir todos os sábados prescritos, não somente o sábado anual festivo e o sábado mensal de lua nova. Esta sequência sempre inclui o sábado semanal.
  2. Insistir que o sábado semanal é excluído da mensagem de Paulo tornaria a mensagem dele incompleta, pois ele lista os três tipos de sábados. Não podemos simplesmente ler “Ninguém, pois, vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa de dias de festa, ou de lua nova” e parar por aí. A terceira descrição “sábados” faz parte da mensagem e se refere ao sábado semanal, o dia sábado.
  3. A palavra Grega que Paulo usa para “o dia sábado” é “sabbaton”. “Sabbaton” é traduzido como “sábado” 61 vezes no Novo Testamento. Todos os sabatistas concordariam que em todas as outras 60 vezes sempre se refere ao dia sábado, o sábado semanal, sem falha. Somente aqui em Colossenses 2 os sabatistas argumentam que “sabbaton” não significa “sábado”, o sábado semanal mas somente os sábados anuais e mensais. Isto é extremamente inconsistente. Em base a qual regra linguística “sabbaton” deveria significar algo diferente aqui? Defender esse argumento é um mero atentado a negar e evitar o ensino claro da Escritura.

Não parece existir qualquer boa razão contextual, lógica, ou linguística para entender a mensagem de Paulo de qualquer outra forma além de que TODOS os sábados: anual, mensal, e semanal, foram tirados dos nossos ombros e pregados na cruz. Todos eram apenas sombras de Jesus Cristo e todos foram totalmente consumados nEle. Jesus é a substância, a realidade, não a sombra. E isso é coerente com o que as Escrituras dizem a respeito dos rituais do Velho Pacto.

Hebreus 10:1 (João Ferreira de Almeida Atualizada)
1Porque a lei, sendo a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas, não pode nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem de ano em ano, aperfeiçoar os que se chegam a Deus.

A observação do sábado está na mesma categoria dos sacrifícios de animais. Era apenas uma sombra, não a imagem exata das coisas, não era substância. Porque agora temos a substância, que é Jesus, já não há necessidade de apegar-nos às sombras como a observância dos sábados e oferta de sacrifícios de animais. Agora que o real já veio, continuar abraçando as sombras é uma forma de adultério espiritual.


Isto me lembra de uma ilustração feita por um pastor, J. Mark Martin. Imagine que seu esposo(a) tenha estado longe por muito tempo e tudo o que você tem de recordação dele(a) é uma foto (uma sombra da pessoa que não está fisicamente presente). Você vai ao aeroporto buscá-lo(a). Ele(a) desembarca do avião. Você vai correndo até ele(a), mas quando chega lá você pega a foto, abraça a foto, beija a foto. Você diz “Ó foto, como eu te amo… eu te amo tanto, foto!” Ele(a) provavelmente pensaria que você está louca(o). Ele(a) provavelmente diria “Ei! Eu estou aqui! Ame-me, não a minha foto!” Se você insistisse em apegar-se à foto, ele(a) provavelmente ficaria muito frustrado(a) com você. De fato, se você continuasse tentando amar a foto (a sombra) ao invés de seu esposo(a) você estaría cometendo uma forma de adultério. Para que possamos verdadeiramente abraçar a Jesus, temos que primeiro abandonar o nosso apego à Sua foto (sombra).

No capítulo 12 continuaremos explorando o que a Escritura nos diz a respeito de Cristo como o nosso verdadeiro descanso sabático, a consumação da sombra.


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