quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Entendendo os Pactos de Deus – Capítulo 14 de 14


Original em inglês escrito por Chris Lee, publicado no website de Life Assurance Ministries http://www.lifeassuranceministries.org/studies/covenants/index.html 
Tradução livre e adaptada deste blog.

A Lei de Cristo

Tenho passado muito tempo pensando e orando sobre o assunto discutido no capítulo anterior do nosso estudo. No passado, tive incerteza de qual seria a melhor forma de chegar ao assunto da Lei de Cristo. Creio que o Espírito Santo, através da Palavra de Deus, tem me abençoado com esclarecimento quanto a este assunto. Conforme eu pensava e orava sobre isso, uma determinada passagem bíblica me veio à mente e com ela a imagem de um diagrama que ajudará a ilustrar o ponto.

Concordamos que existe uma “lei” escrita nos corações dos cristãos sob o Novo Pacto. Porém, parece haver muita confusão quanto a qual “lei” é esta. A palavra “lei” é usada de diferentes formas nas Escrituras. Nos ajudaria muito se observamos como a palavra é usada nas Escrituras e como é aplicada a diferentes grupos. 

Considerando as várias formas que a palavra “lei” é usada, a passagem que se encontra em I Coríntios me veio à mente repetidas vezes. Paulo descreve como em alguns casos ele restringe e em outros casos ele exercita a sua liberdade cristã. Ele faz isso para ganhar outros para o Evangelho.

I Coríntios 9:19-23 (João Ferreira de Almeida Atualizada)
    19Pois, sendo livre de todos, fiz-me escravo de todos para ganhar o maior número possível:
    20Fiz-me como judeu para os judeus, para ganhar os judeus; para os que estão debaixo da lei, como se estivesse eu debaixo da lei (embora debaixo da lei não esteja), para ganhar os que estão debaixo da lei;
    21para os que estão sem lei, como se estivesse sem lei (não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo), para ganhar os que estão sem lei.
    22Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns.
    23Ora, tudo faço por causa do evangelho, para dele tornar-me co-participante.

Resumindo rápidamente os pontos de Paulo:
      Quando Paulo estava com os Judeus, que estavam debaixo da Lei de Moisés, ele agia como se estivesse também debaixo da Lei de Moisés (v.20).
      Paulo, como um cristão sob o Novo Pacto, não estava debaixo da Lei de Moisés (v.20).
      Quando Paulo estava com os gentios, que nunca estiveram debaixo da Lei de Moisés, ele tampouco observava a Lei Moisés (v.21).
      Cristãos sob o Novo Pacto não estão sem a “Lei de Deus” (v.21).
      Cristãos sob o Novo Pacto estão sob a “Lei de Cristo” (v.21).

Assim que vemos a Paulo utilizando a palavra “lei” de três formas diferentes:

I. A Lei de Moisés
  1. Judeus (raciais, ou de nascimento) estavam debaixo desta lei.
  2. Somente válida do Sinai até a Cruz (Gál. 3:15-25).
  3. Os que viveram antes do Sinai não estavam debaixo desta lei (Rom. 5:12-14).
  4. Gentios nunca estiveram debaixo desta lei (I Cor. 9:21, Rom. 4:12-15).
  5. Cristãos sob o Novo Pacto não estão debaixo desta lei (I Cor. 9:20, Rom. 6:14, Gál. 5:18).

II. A Lei de Deus
  1. Existe uma lei transcendental eterna que é definida pelo próprio Deus e sua existência. É quem e o que Ele é. Tudo o que é consistente com a natureza de Deus está de acordo com a Sua lei. Tudo o que está em contra da natureza de Deus é pecado.
  2. Todas as criaturas de todos os tempos têm estado e sempre estarão sujeitos a esta lei suprema porque são criaturas e Deus é o Criador.
  3. Todos os que caem fora desta lei eternal são condenados

Veja os primeiros 5 capítulos de Romanos, especialmente os capítulos 1-3 como suporte bíblico a estes pontos do ítem II.

III. A Lei de Cristo
  1. Esta lei é muitas vezes referida no Novo Testamento como a “Lei de Cristo” (I Cor. 9:21, Gál. 6:2).
  2. “A Lei do Espírito” (Rom. 8:2).
  3. “A Lei da Liberdade” (Tiago 1:25, 2:12)
  4. “A Lei Perfeita” (Tiago 1:25), and
  5. “A Lei Real” (Tiago 2:8).
  6. Esta é a lei sob a qual os cristão do Novo Pacto vivem.

Podemos representar essa informação usando um diagrama simples:
 No topo do diagrama temos uma linha contínua representando a “Lei de Deus”. As flechas apontando para ambas direções indicam que é infinita, ilustrando que a “Lei de Deus” é eternal e transcendental. Esta lei transcende tempo e criação porque é definida pela existência eternal de Deus. Todas as criaturas de todos os tempos têm estado sob essa lei eternal e sempre estarão.

A linha na parte de baixo do diagrama representa a progressão da história do mundo, da criação até o fim do mundo como o conhecemos. Vemos que desde o tempo de Adão até Moisés (no Sinai) a Lei de Moisés ainda não estava em efeito. Ainda assim, pecadores eram condenados pela lei eternal e transcendental de Deus (Rom. 5:12-14).

Do Sinai até a cruz a Lei de Moisés esteve em efeito, mas depois da cruz não mais (Gál. 3:15-25, Heb. 8:13). A Lei de Moisés foi santa, justa e boa em sua condição de sombra da lei eternal e transcendental de Deus. Ela apontava à lei suprema de Deus, mas não era a lei suprema, apenas uma representação dela.

Os cristãos sob o Novo Pacto que viveram e vivem depois da cruz não estão debaixo da Lei de Moisés. Estes cristãos vivem debaixo de um melhor pacto com um melhor mediador, melhores promessas, e melhor lei. Moisés foi um mediador entre Deus e Israel, mas Cristo é o mediador supremo entre Deus e o homem. Moisés foi usado para revelar alguns aspectos de Deus, mas Jesus Cristo é a revelação suprema de Deus. A Moisés foi dada uma lei que veio com glória, mas Jesus Cristo é o legislador supremo. A Lei de Cristo vem com uma glória que sobrepassa a Lei de Moisés. Assim como Jesus é a maior revelação de Deus, também a Lei de Cristo é a maior revelação da lei eternal e transcendental de Deus.

Enquanto que os cristãos sob o Novo Pacto não estão debaixo do Decálogo, eles estão debaixo dos mandamentos da Lei de Cristo. Nos diz as Escrituras que aqueles que têm fé em Cristo guardarão os Seus mandamentos:

Apocalipse 14:12 (João Ferreira de Almeida Atualizada)
 12Aqui está a perseverança dos santos, daqueles que guardam os mandamentos (entole) de Deus e a fé em Jesus.

Ainda que João não define esses mandamentos (entole) no livro de Apocalipse, ele o faz em seus outros livros.

Nota da tradução: A palavra grega “entole” é traduzida no Novo Testamento como “mandamentos”, porém ela significa “ensinos” e seu uso não tem absolutamente nada a ver com o sentido de “lei, estatutos”. Já a palavra hebráica “nomos” traduzida no Velho Testamento como “mandamentos” significa “lei, estatutos”.

I João 3:23 (João Ferreira de Almeida Atualizada)
    23Ora, o seu mandamento (entole) é este, que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, como ele nos ordenou.

João 13:34 (João Ferreira de Almeida Atualizada)
34Um novo mandamento (entole) vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei a vós, que também vós vos ameis uns aos outros.

Podemos ver também várias outras passagens nas Escrituras onde são dados os mandamentos que fazem parte da Lei de Cristo. Também vemos que estes mandamentos são o cumprimento total da lei. Eles não somente cumprem com a Lei de Moisés, mas transcendem a Lei de Moisés cumprindo a Lei de Cristo também. Esses mandamentos são a maior revelação da lei eterna e transcendental de Deus.

Mateus 7:12 (João Ferreira de Almeida Atualizada)
 12Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei também vós a eles; porque esta é a lei e os profetas.

Mateus 22:37-39 (João Ferreira de Almeida Atualizada)
    37Respondeu-lhe Jesus: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento.
    38Este é o grande e primeiro mandamento.
    39E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.

Romanos 13:8-10 (João Ferreira de Almeida Atualizada)
    8A ninguém devais coisa alguma, senão o amor recíproco; pois quem ama ao próximo tem cumprido a lei.
    9Com efeito: Não adulterarás; não matarás; não furtarás; não cobiçarás; e se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.
    10O amor não faz mal ao próximo. De modo que o amor é o cumprimento da lei.

Gálatas 5:14 (João Ferreira de Almeida Atualizada)
    14Pois toda a lei se cumpre numa só palavra, a saber: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.

Gálatas 6:2 (João Ferreira de Almeida Atualizada)
     2Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo.

Mas como podem a Lei de Cristo e os mandamentos elevados que a acompanham serem escritos nos corações dos crentes no Novo Pacto? A única forma que isso pode acontecer é se o próprio Deus habitar em nós, somente então a lei eternal e transcendental de Deus poderá estar em nós. É uma maravilhosa verdade inspiradora compreender que é exatamente isso o que Deus tem feito através da pessoa do Espírito Santo. Não apenas somos selados eternamente pelo Espírito para a salvação, mas também somos renascidos com um espírito regenerado para estar em comunhão com o Espírito de Deus. Através deste soberano ato de graça de Deus, somos dados a própria mente de Cristo com a presença do Espírito em nós.

I Coríntios 2:14-16 (João Ferreira de Almeida Atualizada)
    14Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.
    15Mas o que é espiritual discerne bem tudo, enquanto ele por ninguém é discernido.
    16Pois, quem jamais conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo.

Podemos realmente dizer que a Lei de Cristo é escrita em nossos corações através da presença do Espírito Santo em nós. Ninguém precisa dizer-nos que conheçamos ao Senhor porque já o conhecemos da forma mais íntima. Nós começamos a ver o pecado como Ele o vê. Começamos a ser transformados à semelhança de Cristo. Através da presença do Espírito Santo nos corações dos cristãos no Novo Pacto, a profecia foi cumprida:

Hebreus 8:7-13 (João Ferreira de Almeida Atualizada)
    7Pois, se aquele primeiro fora sem defeito, nunca se teria buscado lugar para o segundo.
    8Porque repreendendo-os, diz: Eis que virão dias, diz o Senhor, em que estabelecerei com a casa de Israel e com a casa de Judá um novo pacto.
    9Não segundo o pacto que fiz com seus pais no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; pois não permaneceram naquele meu pacto, e eu para eles não atentei, diz o Senhor.
    10Ora, este é o pacto que farei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor; porei as minhas leis no seu entendimento, e em seu coração as escreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo;
    11e não ensinará cada um ao seu concidadão, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até o maior.
    12Porque serei misericordioso para com suas iniquidades, e de seus pecados não me lembrarei mais.
    13Dizendo: Novo pacto, ele tornou antiquado o primeiro. E o que se torna antiquado e envelhece, perto está de desaparecer.

Verdadeiramente, nos foi dado um Novo Pacto que é melhor em todos os sentidos. O Velho Pacto com sua velha lei está obsoleto. Somos tão abençoados por viver deste lado da cruz! Não retornemos jamais às sombras agora que temos a substância, Jesus Cristo.


Aqui concluímos o nosso estudo sobre os pactos. Espero sinceramente que tenha lhe ajudado e que você dedique tempo estudando em oração todas as passagens e livros que apresentamos aqui. Que o Senhor Jesus te dê sabedoria e entendimento. Que o Espírito Santo te proteja de falsidade e ilumine a Verdade. Que o Pai te abençoe e te guarde em Seu regozijo conforme estude e aplique estas coisas.


Entendendo os Pactos de Deus – Capítulo 13 de 14


Original em inglês escrito por Chris Lee, publicado no website de Life Assurance Ministries http://www.lifeassuranceministries.org/studies/covenants/index.html 
Tradução livre e adaptada deste blog.

O Selo de Deus

No capítulo 12 estudamos os capítulos 3 e 4 de Hebreus e aprendemos que entramos o verdadeiro descanso de Deus (sabbatismos) através da fé em Jesus Cristo. Entramos neste descanso não num certo dia da semana, mas hoje e todos os dias. Jesus é o nosso sabbatismos. Jesus é a realidade a quem o sábado (sabbaton) apontava.

Se o próprio Jesus é o nosso descanso sabático, o que dizer do ensinamento que muitos de nós aprendemos de que o sábado é o selo de Deus? Todos já escutamos a seguinte passagem em Apocalipse: 

Apocalipse 9:3-4 (João Ferreira de Almeida Atualizada)
    3Da fumaça saíram gafanhotos sobre a terra; e foi-lhes dado poder, como o que têm os escorpiões da terra.
    4Foi-lhes dito que não fizessem dano à erva da terra, nem a verdura alguma, nem a árvore alguma, mas somente aos homens que não têm na fronte o selo de Deus.

Mas Apocalipse não diz que o selo de Deus é o sábado? Na verdade, não há sequer uma só dica de tal declaração nesta passagem e em nenhuma outra no livro de Apocalipse. Simplesmente não é dito em Apocalipse o que é o selo de Deus. Felizmente, não temos que adivinar. Os cristãos sob o Novo Pacto já foram ensinados em livros anteriores, mais de uma vez, quem é o selo de Deus neles. Leia a passagem seguinte para determinar quem é o selo de Deus:

II Coríntios 1:21-22 (João Ferreira de Almeida Atualizada)
    21Mas aquele que nos confirma convosco em Cristo, e nos ungiu, é Deus,
    22o qual também nos selou e nos deu como penhor o Espírito em nossos corações.
 Deus nos deu a presença do Espírito em nossos corações como um penhor de salvação e vida eterna. Não é um dia da semana que nos sela, mas a pessoa do Espírito Santo. Não é um sombra cerimonial que nos sela, mas o Espírito de Deus. Vejamos agora o livro de Efésios.

Efésios 1:13-14 (João Ferreira de Almeida Atualizada)
    13no qual também vós, tendo ouvido a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, e tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa,
    14o qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão de Deus, para o louvor da sua glória.

Mais uma vez, vemos que somos selados com o Espírito Santo. Somente o próprio Deus pode garantir a promessa da salvação através da fé. Um dia não tem esse poder. Sigamos adiante ainda no mesmo livro.

Efésios 4:30 (João Ferreira de Almeida Atualizada)
30E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção.

Podemos ver então que somos selados com o Espírito Santo e pelo Espírito Santo garantindo a nossa rendenção. Um dia da semana não pode garantir a nossa salvação, somente o Selo de Deus em nossos corações pode fazer isso. Sabendo disso, temos aqui uma dica do que “a marca da besta” poderá ser. Tampouco é um dia da semana, mas a rejeição do Espírito.

Tenho escutado algumas pessoas opor-se dizendo que o Espírito de Deus não pode ser o Selo de Deus, ainda que a Bíblia o diz, porque selos são objetos inanimados. Este argumento não tem fundamento porque o Selo de Deus não é um selo humano. Nosso Deus Todo Poderoso pode selar-nos como Ele desejar. Quão maravilhoso é que Ele tenha escolhido a Si mesmo para selar-nos para a salvação! Quando nossos espíritos são revividos em Cristo, o Espírito de Deus faz morada em nós. A própria presença de Deus habita em nós garantindo a promessa da vida eterna com Ele. Ele é o selo! Este é o testimônio da Escritura.

Que melhor selo poderiamos esperar? Verdadeiramente, nós que vivemos na era do Novo Pacto somos imensamente abençoados. Mas a promessa de vida eterna não limita as maravilhosas bençãos que nos são dadas através da presença do Espírito Santo em nós. Através da presença transformadora do Espírito também somos conformados em Cristo. Passamos de estar sob a Lei de Moisés e somos, através do poder e presença do Espírito, agora conformados a uma lei melhor: a Lei de Cristo.

Exploraremos a Lei de Cristo no capítulo 14.


Entendendo os Pactos de Deus – Capítulo 12 de 14


Original em inglês escrito por Chris Lee, publicado no website de Life Assurance Ministries http://www.lifeassuranceministries.org/studies/covenants/index.html 
Tradução livre e adaptada deste blog.

Hebreus 3:1 – 4:16

No capítulo 11 vimos que a letra (ou lei, palavra escrita, código escrito) e seus regulamentos foram cancelados e pregados na cruz. Vimos ainda que dentre essas coisas estavam incluídas as leis alimentícias, sábado festivo (annual), sábado de lua nova (mensal), e o sábado semanal (sabbaton). Também vimos que sacrifícios de animais e o sábado eram ambos apenas sombras, e que a realidade está em Jesus Cristo.

No capítulo 12, continuaremos a explorar o conceito bíblico de Jesus Cristo como o cumprimento da sombra do sábado. Examinaremos dois capítulos chaves de Hebreus que apresentam a Jesus como o nosso verdadeiro descanso.



Lembre-se, o livro de Hebreus foi escrito a Judeus Cristãos que estavam sendo perseguidos por seus companheiros Judeus por causa de sua crença em Jesus como o Messias. Esses crentes hebreus estavam gravemente tentados a voltar às suas raízes e práticas judáicas. O autor de Hebreus escreve esta carta para advertir-los a que não voltem atrás e para recordar-lhes de quão melhor Jesus é do que as sombras do Velho Pacto. O autor cobre metodicamente quase todas as sombras do Velho Pacto e explica como Jesus as cumpre e ultrapassa. No capítulo 3 e 4 o autor escreve sobre a sombra do sábado e mostra como Jesus o cumpriu.

Hebreus 3:1-6 (João Ferreira de Almeida Atualizada)
    1Pelo que, santos irmãos, participantes da vocação celestial, considerai o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão, Jesus,
    2como ele foi fiel ao que o constituiu, assim como também o foi Moisés em toda a casa de Deus.
    3Pois ele é tido por digno de tanto maior glória do que Moisés, quanto maior honra do que a casa tem aquele que a edificou.
    4Porque toda casa é edificada por alguém, mas quem edificou todas as coisas é Deus.
    5Moisés, na verdade, foi fiel em toda a casa de Deus, como servo, para testemunho das coisas que se haviam de anunciar;
    6mas Cristo o é como Filho sobre a casa de Deus; a qual casa somos nós, se tão somente conservarmos firmes até o fim a nossa confiança e a glória da esperança.

Não perdamos de vista o ponto que o autor do livro de Hebreus fortemente faz aqui. Moisés representa toda a lei do Velho Pacto. O autor diz que Moisés foi apenas um servo, mas que Jesus é Filho. Jesus é mais que Moisés. Jesus não está em um plano de igualdade com a Lei de Moisés, mas a transcende.

Hebreus 3:7-11 (João Ferreira de Almeida Atualizada)
    7Pelo que, como diz o Espírito Santo: Hoje, se ouvirdes a sua voz,
    8não endureçais os vossos corações, como na provocação, no dia da tentação no deserto,
    9onde vossos pais me tentaram, pondo-me à prova, e viram por quarenta anos as minhas obras.
    10Por isto me indignei contra essa geração, e disse: Estes sempre erram em seu coração, e não chegaram a conhecer os meus caminhos.
    11Assim jurei na minha ira: Não entrarão no meu descanso.

Mesmo depois que Deus dirigiu os filhos de Israel a que saíssem do Egito, eles ainda assim não entraram no Seu descanso. Mesmo tendo guardado os sábados for 40 anos enquanto caminhavam pelo deserto, eles ainda assim não entraram no verdadeiro descanso de Deus. Mas Deus está chamando o Seu povo para que entrem no Seu descando e nos chama “HOJE”; não sábado, nem domingo, nem segunda-feira, mas “HOJE”! Vemos o uso da palavra “hoje” pela primeira vez no versículo 7, e a veremos várias vezes mais ao longo do capítulo. 

Hebreus 3:12-19 (João Ferreira de Almeida Atualizada)
   12Vede, irmãos, que nunca se ache em qualquer de vós um perverso coração de incredulidade, para se apartar do Deus vivo;
    13antes exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado;
    14porque nos temos tornado participantes de Cristo, se é que guardamos firme até o fim a nossa confiança inicial;
    15enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações, como na provocação;
    16pois quais os que, tendo-a ouvido, o provocaram? Não foram, porventura, todos os que saíram do Egito por meio de Moisés?
    17E contra quem se indignou por quarenta anos? Não foi porventura contra os que pecaram, cujos corpos caíram no deserto?
    18E a quem jurou que não entrariam no seu descanso, senão aos que foram desobedientes?
    19E vemos que não puderam entrar por causa da incredulidade.

Nos versos 13 e 15 vemos mais uma vez a enfatização em entrar no descanso de Deus “hoje”. Não foi a falha em guardar um determinado dia que preveniu os filhos de Israel de entrarem no verdadeiro descando de Deus. Eles guardaram os sábados! Foi falta de fé que os manteve fora desse descanso.

Hebreus 4:1-5 (João Ferreira de Almeida Atualizada)
    1Portanto, tendo-nos sido deixada a promessa de entrarmos no seu descanso, temamos não haja algum de vós que pareça ter falhado.
    2Porque também a nós foram pregadas as boas novas, assim como a eles; mas a palavra da pregação nada lhes aproveitou, porquanto não chegou a ser unida com a fé, naqueles que a ouviram.
    3Porque nós, os que temos crido, é que entramos no descanso, tal como disse: Assim jurei na minha ira: Não entrarão no meu descanso; embora as suas obras estivessem acabadas desde a fundação do mundo;
    4pois em certo lugar disse ele assim do sétimo dia: E descansou Deus, no sétimo dia, de todas as suas obras;
    5e outra vez, neste lugar: Não entrarão no meu descanso.

Assim, vemos que ainda há uma promessa de entrar no descanso de Deus, mas somente entramos através da fé. Essa é a boa notícia! Esse é o Evangelho! O sábado foi apenas uma sombra física do descanso espiritual que nos seria dado através da fé em Cristo. Em Jesus é restaurado o descanso espiritual perfeito que Adão e Eva perderam quando caíram em pecado.

A obra da criação de Deus foi terminada em seis dias e no sétimo “dia” (yom) ele descansou de toda a Sua obra. Deus continua nesse descaso hoje. Ele nunca cessou o Seu descanso. Diferente dos outros seis dias da criação, o sétimo “dia” (yom) não teve tarde nem manhã, não terminou. Deus continua no sétimo “dia” (yom).

Nota da tradução: “Yom” é a palavra em hebreu que significa “dia”, e foi usada em Gênesis para determinar a parte clara do periodo que involve um dia. Esta palavra é equivalente à palavra Grega “sabbaton” no Novo Testamento, que significa “o dia sábado, o sétimo dia da semana”. A palavra “shabbāth” em hebreu significa “descanso” e daí se originou a palavra em inglês “Sabbath” traduzido ao português como “sábado”. Note ainda que em inglês existem duas palavras para descrever sábado: a palavra “Sabbath”, que significa descanso mas é utilizada por sabatistas para referir-se ao sábado sétimo dia da semana; e a palavra “Saturday” que significa sábado como o sétimo dia da semana.

Adão e Eva teriam permanecido no descanso de Deus se não houvessem caído em pecado. Os filhos de Israel poderiam ter entrado no descanso de Deus se houvessem crido. Os Israelitas foram dados um símbolo cerimonial desse descanso, mas falharam em entender a quem esse símbolo apontava. Você e eu estamos sendo chamados a este descanso hoje através da fé em Jesus Cristo. Não estamos sendo chamados à sombra, mas à realidade. Estamos sendo convidados a voltar ao descanso espiritual do Éden.

Hebreus 4:6-7 (João Ferreira de Almeida Atualizada)
    6Visto, pois, restar que alguns entrem nele, e que aqueles a quem anteriormente foram pregadas as boas novas não entraram por causa da desobediência,
    7determina outra vez um certo dia, Hoje, dizendo por Davi, depois de tanto tempo, como antes fora dito: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações.

Notemos mais uma vez que este descanso não é um certo dia da semana. Não é domingo, segunda-feira, terça-feira, quarta-feira, quinta-feira, sexta-feira, ou sábado. É HOJE! É agora… todos os dias!

Hebreus 4:8-11 (João Ferreira de Almeida Atualizada)
    8Porque, se Josué lhes houvesse dado descanso, não teria falado depois disso de outro dia.
    9Portanto resta ainda um repouso sabático para o povo de Deus.
    10Pois aquele que entrou no descanso de Deus, esse também descansou de suas obras, assim como Deus das suas.
    11Ora, à vista disso, procuremos diligentemente entrar naquele descanso, para que ninguém caia no mesmo exemplo de desobediência.

Mesmo depois que os filhos de Israel entraram na Terra Prometida dirigidos por Josué eles ainda assim não entraram no descanso de Deus. A Terra Prometida, assim como o sábado, era apenas uma sombra daquilo que Deus queria restaurar ao homem. Ainda há um descanso a ser entrado, mas não é um certo pedaço de terra ou um certo dia da semana. É o descanso espiritual que foi perdido no Éden e que é somente restaurado através da fé em Cristo.

No verso 9, o escritor usa uma nova palavra Grega para descrever este descanso, “sabbatismos”. “Sabbatismos” significa descanso sabático, um descanso no sentido da palavra “Sabbath” que em si significa “descanso”. Note que ele não usou a palavra Grega utilizada para o sétimo dia da semana “sabbaton”, ao invés ele usou “sabbatismos” porque se refere a descanso e não a um dia da semana. Não estamos sendo convidados a descansar no sétimo dia da semana (sabbaton), mas sim no descanso eternal de Deus (sabbatismos) em Cristo e em Seu trabalho consumado.

O verso 10 nos diz que entramos no descanso de Deus quando primeiro descansamos das nossas próprias obras. Se seguimos tentando entrar no descanso de Deus através das nossas próprias obras, estaremos sendo tão desobedientes e de pouca fé como foram os israelitas. Assim como os crentes hebreus a quem esta carta foi escrita, não podemos retornar ao Velho Pacto que foi um pacto de obras. Devemos descansar, através da fé, na obra consumada de Jesus.

Hebreus 4:12-16 (João Ferreira de Almeida Atualizada)
    12Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão de alma e espírito, e de juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.
    13E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele a quem havemos de prestar contas.
    14Tendo, portanto, um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou os céus, retenhamos firmemente a nossa confissão.
    15Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer- se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado.
    16Cheguemo-nos, pois, confiadamente ao trono da graça, para que recebamos misericórdia e achemos graça, a fim de sermos socorridos no momento oportuno.

Jesus é o nosso Sumo Sacerdote. Ele é o cumprimento de todas as sombras do Velho Pacto. Ele é melhor que as sombras e as transcende todas. Ele é a realidade. NEle podemos ter a certeza de chegar ao trono de Deus e entrar em Sua presença assim como o sacerdote do Velho Pacto chegava até a Arca e seu trono de misericórdia. Tudo no Velho Pacto apontava a Cristo. Tudo no Velho Pacto foi cumprido em Cristo, inclusive o sábado.

Assim, se o sábado foi apenas uma sombra que foi cumprida (consumada, terminada) em Cristo, pode então ser verdade que um dia da semana é o selo de Deus para os cristãos no Novo Pacto? Muitos de nós fomos ensinados este conceito e o aceitamos sem questionar. Mas o que a Escritura realmente diz sobre isso?

Exploraremos mais no capítulo 13.